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Aprender a gostar de bem comer

Durante a infância, as experiências que as crianças têm com os alimentos vão influenciar os seus hábitos alimentares no futuro. Não é somente o que a criança come que importa, mas também a forma como os alimentos são oferecidos e como correm as refeições. Os primeiros anos de vida são determinantes.

Nesta secção, saiba como lidar com algumas situações comuns e quais as principais medidas que deve tomar em relação à alimentação da sua criança para que ela se torne numa verdadeira apreciadora de uma alimentação saudável.

Regra de ouro: Os pais decidem “o quê” e as crianças decidem “quanto”

Os pais são responsáveis por escolher o que oferecer às suas crianças e servir porções adequadas. Mas devem ser as crianças a decidirem se vão ou não comer e o quanto vão comer. As crianças nascem com capacidade de comer de acordo com as suas necessidades. Os pais que querem controlar aquilo que os filhos comem ou que costumam pressioná-los para que comam mais estão a interferir com esta capacidade.

Comer quando se tem fome e parar de comer quando se está satisfeito é um hábito muito importante. Principalmente quando vivemos numa sociedade onde os alimentos e guloseimas parecem estar por toda a parte. Confie na sua criança e ajude-a a preservar esta capacidade. Aprenda desde cedo a reconhecer e respeitar os seus sinais de fome e de que está satisfeita. Resista à tentação de pedir: “só mais uma colher para o papá!” Por outro lado, sirva um pouco mais se ela quiser. 

É claro que é preciso saber lidar com algumas situações comuns nesta fase. Muitas dúvidas vão surgir. Estamos aqui para ajudá-los.   

Sugestão…

Para cumprir o seu papel de oferecer uma alimentação saudável utilize as orientações “Alimentação saudável para crianças de 1 a 5 anos”.

Zele para que as refeições sejam momentos agradáveis e desejados

A criança aprende atitudes positivas e negativas relacionadas com a alimentação observando aquilo que se passa à sua volta. As refeições em família são momentos únicos neste sentido. É mais fácil para a criança apreciar os alimentos e a hora das refeições se estas forem momentos tranquilos e agradáveis desde os primeiros anos de vida. Pelo contrário, se uma criança é sempre obrigada a comer tudo o que lhe foi servido e se a alimentação é sempre tema de conversa ou discussão, será muito mais difícil que ela goste do que está a comer. Assim, sempre que for possível, organize a rotina para que sua criança faça pelo menos uma das refeições em família. Se não for possível, tente ao menos que esteja presente à hora da refeição da família.

À mesa, sigam a regra dos 3 S: sentados, sossegados e sociáveis. Sentem-se à mesa e conversem, num ambiente tranquilo, sem distrações como brinquedos, telefone ou televisão. Evite fazer comentários sobre o que a criança está ou não a comer. Incentive-a a comer sozinha e respeite o seu ritmo. As pressões e os raspanetes para que coma mais ou mais depressa são totalmente desaconselhados. Mesmo os lanches devem ser servidos num sítio “especial” e com companhia e não enquanto a criança brinca. Se habituar o seu filho a comer somente com distrações, será muito mais difícil para ele aprender a comportar-se à mesa.

Envolva o seu filho na preparação das refeições. Rasgar as folhas da alface, mexer as misturas e amassar massas, ajudar a contar os ovos ou as colheres dos ingredientes podem ser tarefas muito interessantes. Ele vai adorar sentir-se útil! Este desafio vai fazer com que dê mais atenção à tarefa do que aos alimentos e ficará mais motivado para comer. Além disso, aprender a cozinhar é importante!

Evite que as refeições se prolonguem demais. As crianças têm uma capacidade de atenção limitada e não é aconselhável que estes momentos se transformem em tortura. Se a refeição estiver a demorar muito e a criança quiser sair da mesa, a melhor alternativa pode ser deixá-la sair.

Assim, as refeições são oportunidades de convívio, interação e descoberta e não apenas a hora de comer.

“Eu faço isso!”

No período compreendido entre 1 a 3 anos, a criança quer demonstrar frequentemente a sua independência. Nesta fase está a aprimorar a sua coordenação e a aprender a comer sozinha. Incentive a sua autonomia! Ofereça ajuda, mas deixe-a assumir cada vez mais esta tarefa.

É somente por volta dos 18 meses que a maioria das crianças consegue levar a colher à boca com mais destreza. Mas lembre-se que cada uma tem o seu ritmo de desenvolvimento. Respeite o ritmo da sua. Quanto mais puder praticar, com a colher ou com as mãos, mais depressa passará à próxima fase, ou seja, comer sozinha e sem desordem. Lembre-se também que a criança pequena está a experimentar tudo à sua volta pela primeira vez. É natural que queira sentir o alimento também com as mãos. Deixe-a tocar nos alimentos. Esta fase irá passar rapidamente como todas as outras!

Até que a sua criança aprenda a comer bem, proteja a roupa, tapete, chão e mesa para não se importar com a sujidade.

Sugestão …

Por volta dos 2 anos de idade, ofereça um garfo com pontas arredondadas à sua criança. Embora vá utilizar a colher a maior parte do tempo, é bom que comece a habituar-se. Quanto à faca, pode oferecer uma sem corte por volta dos 3 anos de idade.

Estabeleça uma rotina de 5 ou 6 refeições

É papel dos pais ajudar os filhos a adquirir bons hábitos alimentares, isto é, oferecer refeições saudáveis, em quantidades adequadas, e em horários regulares.

Estabeleça uma rotina de 5 ou 6 refeições por dia: pequeno-almoço, almoço e jantar e dois ou três pequenos lanches nos intervalos. É importante que os horários sejam regulares para que os lanches não interfiram com as refeições principais. Caso a criança demonstre fome e ainda falte muito tempo para a próxima refeição, ofereça uma fruta ou palitinhos de legumes cozidos. Não a deixe petiscar entre as refeições. Muito menos ter acesso livre ao frigorífico e à dispensa.

A comida sabe bem melhor quando se tem fome!

Respeite os sinais de fome e de saciedade do seu filho

Ao final do primeiro ano de vida as crianças parecem imparáveis exploradores e é natural pensar que toda esta energia tem de ser recompensada com um apetite voraz. Contudo, é também nesta fase que começam a crescer a um ritmo mais lento, com uma consequente redução do apetite.

O apetite das crianças pode ser imprevisível. Num dia devoram todas as refeições que lhes são servidas e pedem para repetir. Noutro, comem como um passarinho. Vários fatores contribuem para isso: o ritmo de crescimento, o seu nível de atividade física, doenças e até mesmo o ambiente das refeições. As crianças não necessitam de comer a mesma quantidade de alimentos todos os dias. Nem os pais devem andar a contabilizar o quanto os seus filhos já comeram e a comparar com as quantidades que outros comem. As crianças têm necessidades muito diferentes. Se o seu filho estiver a crescer bem e com saúde, é isso o que importa.

É um erro obrigar a criança a comer um pouco mais ou a “limpar o prato”. São exemplos de pressões:

  • Distrações, como brinquedos, histórias, televisão, telefone, jogos e músicas;
  • Raspanetes;
  • Castigos;
  • Competições, como “Quem acabar primeiro é o despachado e quem for o último é o pastelão!”
  • Chantagens como oferecer a sobremesa, um brinquedo, um passeio, ou uma atividade se comer tudo.

Obrigar a criança a comer vai prejudicar a capacidade de comer de acordo com o que necessita.

Organize uma rotina de refeições para a sua criança, cuide para que sejam momentos desejados, ofereça porções adequadas à sua idade, incentive-a gentilmente a comer, dê o exemplo e confie no seu apetite! Aprenda desde cedo a reconhecer e respeite os seus sinais de fome e de que já está satisfeito. O folheto “Os sinais da minha criança: fome e saciedade” pode ser útil neste sentido.

Sugestão…

Em fases de menos apetite, ofereça porções mais pequenas. Pode sempre servir um pouco mais se a criança quiser.

Respeite as preferências e aversões do seu filho, mas não se transforme no seu cozinheiro particular

As preferências e aversões da criança devem ser respeitadas. Não é justo insistir em servir alimentos ou texturas que não agradam de todo e causam mesmo repulsa. Neste caso, uma vez que o resto da família não deve ficar privado de um prato de que gosta, podem ser apresentadas alternativas, desde que os pais não passem o tempo a cozinhar menus diferentes para cada criança!

As crianças devem escolher entre as alternativas que lhes são apresentadas e esta oferta deve ter um limite. Por exemplo, se a sua criança não gosta, de todo, de puré de batata, é razoável ter arroz ou pão integral à mesa, como alternativa. Mas lembre-se! Se preparar algo especial para a sua criança sempre que ela não quiser comer o que foi servido, fará a mesma exigência frequentemente. Além disso, não é correto perguntar à criança o que é que quer comer porque não tem ainda os conhecimentos necessários para o fazer. Se quer que ela, vez por outra, escolha o que comer, pode pedir que opte entre um prato ou outro, definidos por si.

Por fim, as crianças mais pequeninas preferem preparações simples e já familiares. É inútil perder tempo a pensar e a preparar coisas complicadas para as incentivar a comer.

Não utilize alimentos como prémio, recompensa ou para conseguir que a criança faça algo em troca

Em primeiro lugar, os alimentos, recebidos como gratificação por bom comportamento ou como conforto em momentos de dor, tristeza ou irritação são normalmente guloseimas. Nestas situações, ganham um valor especial e tornam-se, muitas vezes, os preferidos e mais desejados da criança. Além disso, este tipo de atitude pode contribuir para que a criança se habitue a comer para aliviar momentos de tristeza e frustração ou para comemorar os seus sucessos.

Uma brincadeira, uma ida ao parque, um beijo ou um abraço são apenas algumas das muitas alternativas que para premiar ou confortar o seu filho.

Tenha persistência. Por vezes é preciso que a criança prove um alimento 10 ou mais vezes em ocasiões diferentes para passar a aceitá-lo.

O paladar educa-se e é comum que as crianças precisem de provar um alimento várias vezes antes de o aceitar. É importante incentivar a criança a provar os alimentos. Mas atenção! Incentivar não significa obrigar.

A melhor forma de incentivar o seu filho a experimentar os alimentos é através do exemplo, ou seja, mostrar que estes fazem parte da vossa alimentação e são apreciados por si e pelo resto da família. Mantenha o alimento na refeição da família e sirva uma pequena quantidade no prato da criança, ao lado de alimentos que ela aprecia. Incentive-a a provar, mas não a obrigue. Mais cedo ou mais tarde terá curiosidade de experimentar e poderá até pedir mais!

Apresentar os alimentos com formas criativas e envolver a criança na preparação das refeições também pode ajudar. Além disso, se as refeições forem momentos desejados de convívio e aprendizagem e se tiver fome, estará mais disponível para experimentar novos alimentos.

As crianças mais pequeninas, até por volta dos 3 anos, costumam ser mais resistentes. Mas, à medida que crescem, tornam-se mais recetivas à novidade.

“Não gosto disto!”

Não tente compreender a lógica das preferências alimentares do se filho. Hoje poderá repetir 3 vezes esparregado e amanhã, simplesmente dizer: “Não como isso!”

Os caprichos e as manias com a alimentação são normais. Se a sua criança se recusa a comer um determinado alimento em diversas ocasiões, experimente deixar de oferecer aquele alimento durante algum tempo.

Atenção ao que coloca dentro de casa

Entre outros alimentos saudáveis, tenha sempre em casa:

  • Fruta fresca;
  • Vegetais;
  • Pão e tostas integrais;
  • Iogurtes não açucarados, leite e queijos meio-gordos ou magros.

Evite ter em casa:

  • Fritos de pacote (snacks) e pipocas;
  • Bolachas recheadas;
  • Cereais açucarados, barras de cereais e iogurtes com muito açúcar; 
  • Bolos;
  • Pães de massa doce, com recheios doces e croissants
  • Rebuçados e gomas;
  • Chocolate, gelados e doces em geral;
  • Refrigerantes, sumos, leites aromatizados e outras bebidas açucaradas.

Estes géneros alimentícios, com excesso de açúcares, gordura e sal, não devem ser proibidos, mas devem ser consumidos apenas ocasionalmente, em dias de festa, e em pequena quantidade. É muito mais fácil dizer simplesmente “não há”, do que “não pode”. 

Muitos pais acabam por ter estes produtos em casa para consumo próprio. Lembre-se que o seu exemplo vale mais do que aquilo que diz!

Atenção às refeições pré-confecionadas, refrigeradas ou congeladas. Estas preparações costumam ter mais sal e gorduras do que as refeições preparadas em casa com ingredientes naturais. Utilize-as apenas como último recurso e compare os rótulos das embalagens para escolher as melhores alternativas.

Sumos e bebidas açucaradas

O consumo de sumos e bebidas açucaradas pode diminuir o apetite da criança para a próxima refeição. Além disso, estas bebidas têm muitas calorias e açúcares e contribuem para o excesso de peso. O melhor é não tê-las em casa. Guarde-as para dias de festa e em pequenas quantidades, de preferência diluídas com metade da quantidade de água.

A água deve ser a bebida de eleição para satisfazer a sede. Procure servir a água e todos os líquidos num copo de transição até que o seu filho esteja pronto a usar um copo normal. Evite os biberões. Se a sua criança ainda não deixou o biberão, deve deixar até aos 2 anos de idade.

Nada deve ser totalmente proibido

Nenhum alimento deve ser totalmente proibido, a não ser por recomendação médica.

Se a criança vê outras pessoas a comerem alimentos que lhe são proibidos, vai ter muito mais curiosidade e desejo de os comer e é muito provável que exagere na primeira oportunidade que tiver para o fazer.

Se não quer que o seu filho coma regularmente determinados alimentos, não os tenha em casa e dê o exemplo. Em ocasiões especiais, em que outras pessoas estejam a consumi-los, deixe que coma uma quantidade razoável para a idade.

O seu exemplo vale mais do que aquilo que diz!

Os pais exercem as influências mais fortes e duradouras nos comportamentos dos filhos.

É através dos seus exemplos que o seu filho vai começar a formar a sua própria noção do que é certo ou errado também em termos de alimentação. Outras influências virão. Mas aquilo o que vê em casa será sempre determinante.

Não descure do pequeno-almoço

O pequeno-almoço é uma refeição muito importante. Vários estudos demonstram que as crianças que não comem ao pequeno-almoço têm mais problemas de concentração durante as primeiras horas do dia.

Muitas famílias se queixam da dificuldade em organizar as suas rotinas para que todos façam um pequeno-almoço saudável e tranquilo. Aqui vão algumas sugestões!

À noite, antes de deitar, deixe:

  • as roupas para o dia seguinte separadas
  • mochilas e malas arrumadas
  • a mesa posta para o pequeno-almoço.

Se ainda assim não resultar, pode ser necessário acordar mais cedo.

Por vezes, as crianças não têm apetite logo que acordam. Se assim for, ofereça o pequeno-almoço depois de fazerem as outras tarefas. Alguns especialistas sugerem que se ofereça um copo de sumo de laranja antes do pequeno-almoço para abrir o apetite da criança. Mas esta prática deve servir apenas por um período, até que a criança se habitue a comer o pequeno-almoço, e não deve passar a ser um hábito.

Se, pontualmente, o seu filho não quiser comer o pequeno-almoço, não se preocupe. Cuide apenas para que isso não se transforme num hábito e para que faça um lanche ao meio da manhã.

Tenha cuidado com alguns alimentos até aos 4 anos de idade

As crianças só aprendem a mastigar bem os alimentos por volta dos 4 anos de idade. Até esta fase, alguns alimentos são potencialmente perigosos para os mais pequeninos. Uns porque podem ficar presos na garganta, bloqueando a passagem de ar, outros, porque podem ser aspirados e entrar para os brônquios. Estes problemas são mais comuns do que se pode imaginar e é importante saber evitá-los. Verifique a seguir!

Alimentos que podem ficar presos na garganta

Até aos 4 anos de idade, evite oferecer à sua criança:

  • Qualquer pedaço grande de alimentos rijos, como carne, queijo, batata, vegetais crus ou mal cozidos e frutas;    
  • Salsichas inteiras ou às rodelas (Devem ser cortadas em “quadrados” pequeninos);
  • Rebuçados, chupas, gomas e marshmallows;
  • Frutos secos, como as nozes, as amêndoas, os amendoins, as castanhas, as avelãs, o caju, o pinhão e o pistácio;
  • Pipoca;
  • Chocolates com recheio de caramelo ou de frutos secos;
  • Uvas, cerejas, azeitonas ou tomate cherry inteiros (Devem ser cortados em pedaços pequenos).

Nota: Embora uma criança de 3 anos de idade já consiga roer uma metade de maça ou comer tiras finas de vegetais crus (cenoura, pepino), é sempre importante ter cuidado. Pode começar a habituar o seu filho aos poucos, se sentir que já é capaz. Mas sempre sentado e sob o seu olhar atento.

Alimentos que podem ser aspirados

Até aos 4 anos de idade, evite oferecer à sua criança:

  • Frutos secos, como as nozes, as amêndoas, os amendoins, as castanhas, as avelãs, o caju, o pinhão, pistácio e as passas de uva;
  • Sementes, como sementes de abóbora, sésamo, linhaça e girassol; 
  • Cereais de pequeno-almoço muito fibrosos que não se dissolvem
    facilmente na boca, farelos e flocos de aveia secos. Podem ser
    oferecidos se estiverem amolecidos pelo leite.

Que outros cuidados são importantes para evitar engasgamentos e aspirações em crianças pequenas?

  • Retirar cuidadosamente as espinhas dos peixes e os ossos das carnes;
  • Retirar as sementes das frutas; 
  • Cortar os alimentos mais rijos, como carnes, vegetais, frutas e queijos, em pedaços pequenos;
  • Cuidar para que outras crianças ou adultos não ofereçam alimentos perigosos; 
  • A criança não deve:
    •  Ficar sozinha enquanto come;
    •  Comer na cadeirinha do carro;
    •  Comer enquanto brinca;
    •  Colocar uma grande quantidade de alimentos na boca;
    •  Falar com a boca cheia.

O que fazer em caso de engasgamento?

Os engasgamentos podem ser graves. Procure estar informado acerca de como proceder em caso de engasgamentos. Se não conseguir resolver a situação rapidamente com os procedimentos recomendados, ligue imediatamente para o 112.

Informações adicionais:

Como proceder perante o engasgamento de uma criança?

https://elearning.enb.pt/course/index.php?categoryid=5