Que outros aspetos devem ser analisados no diagnóstico da obesidade infantil?

Acompanhar o crescimento da criança através do seu peso e altura não é o único aspeto a ser analisado pelo profissional de saúde para saber se uma criança é obesa ou está em risco de obesidade e sugerir medidas de controlo. Uma criança pode ter um peso elevado devido ao excesso de músculos, por exemplo. Outra pode ter um peso normal mas necessitar de algumas mudanças de hábitos por ter uma forte tendência para ser obesa.

Assim, para fazer um diagnóstico preciso e definir se é ou não necessária uma intervenção e qual seria esta intervenção, é essencial ainda analisar uma série de outras situações. São elas:

1.     A existência de fatores que aumentam a tendência para a criança ser obesa

São fatores que aumentam a tendência para uma criança ser obesa:

  • obesidade dos pais ou de um dos pais;
  • obesidade em familiares próximos;
  • obesidade da mãe no início da gravidez;
  • ganho de peso excessivo da mãe durante a gravidez;
  • diabetes não controlada durante a gravidez;
  • fumar durante a gravidez;
  • nascer com peso elevado. É comum a preocupação com crianças que nascem com 4 kg ou mais;
  • ganhar peso muito rapidamente, a ultrapassar linhas de percentil do peso nos dois primeiros anos de vida;
  • ter o peso num percentil acima do 95 durante o primeiro ano de vida

ATENÇÃO! Para crianças nascidas a partir de 2013 que utilizam o modelo mais recente do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, considerar o percentil 97;

  • já ter sido obesa anteriormente;
  • ser alimentada pelo biberão com leite artificial nos primeiros meses de vida;
  • começar a comer outros alimentos para além do leite antes dos 4 meses de vida.

A presença de vários destes fatores pode ser considerada um sinal de alerta para o risco de obesidade. Crianças que apresentam vários destes fatores devem ser acompanhadas com mais frequência para que possam ser tomadas medidas de prevenção antes que a obesidade se instale.

2.     A existência de uma doença ou condição que seja a causa do aumento excessivo de peso ou da obesidade

A maior parte das situações de aumento excessivo de peso ou de obesidade não se deve a doenças ou outras situações, como a utilização de medicamentos, mas sim a maus hábitos de alimentação e atividade física. No entanto, outras causas devem ser descartadas para que se possa definir as medidas de controlo adequadas. 

3.     A existência de outras doenças e problemas de saúde relacionados com o excesso de peso, como a tensão alta, o colesterol elevado e a diabetes

Investigar se a criança tem outros problemas de saúde associados ao excesso de peso é essencial para um diagnóstico preciso e para decidir sobre as medidas de tratamento do excesso de peso e das doenças associadas.

4.     Os hábitos alimentares, de atividade física e de sono da criança e da família

Conhecer os hábitos alimentares, de atividade física e de sono da criança e da família pode auxiliar o profissional de saúde no diagnóstico e é fundamental para a sugestão de medidas de prevenção ou tratamento da obesidade. Mesmo que a criança não tenha excesso de peso, mudar maus hábitos na criança e na família é uma medida que contribui para a saúde de todos. 

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