Image Alt

Papa Bem

  >  O Meu Bebé   >  Criança do 1 aos 5 anos   >  Familiares, amigos, escola e outras influências nos hábitos alimentares da criança

Familiares, amigos, escola e outras influências nos hábitos alimentares da criança

À medida que a criança cresce, os seus hábitos serão cada vez mais influenciados pelos ambientes que frequenta e pelas pessoas com quem convive. Depois de todo o esforço e criatividade para preparar lanches saudáveis e variados para a sua criança levar para a escola, mais cedo ou mais tarde, vai ouvi-la a reclamar porque os amigos levam rebuçados, gomas, batatas fritas ou bolachas deliciosas. É importante saber lidar com estas e outras situações.

Lembre-se que é durante a infância que os pais exercem as mais fortes e duradouras influências nos comportamentos dos filhos. Por isso, continue a garantir uma rotina de refeições saudáveis, a cuidar para que as refeições sejam momentos agradáveis de convívio e aprendizagem e a ser um bom exemplo. Não desista do seu papel!

Não existem regras mágicas sobre como lidar com cada situação. Tenha bom senso, analise caso a caso e evite atitudes radicais como, por exemplo, proibir a criança de comer guloseimas em dias de festa, quando todos os amiguinhos estão a comer. Isso só vai aguçar ainda mais a sua curiosidade e é provável que devore a maior quantidade possível mal vire as costas.

Seguem-se algumas pistas sobre como lidar com algumas das situações que interferem com os hábitos alimentares das crianças até aos 5 anos de idade. Terá de definir a sua própria forma de lidar com cada uma das situações que certamente vão aparecer.

Amas, creches e jardins-de-infância

É muito comum haver divergências entre os pais e as pessoas ou instituições que cuidam da criança durante o dia no que se refere à alimentação. Aquilo que para si é o correto nem sempre fará sentido para outras pessoas ou será possível colocar em prática em instituições. Pessoas que já “criaram” os seus filhos ou que são de uma cultura diferente podem ter ainda mais dificuldade em compreender o seu ponto de vista. Os conhecimentos sobre alimentação saudável evoluem rapidamente e os hábitos alimentares variam de cultura para cultura. A sua criança pode passar mais tempo aos cuidados destas pessoas ou instituições do que consigo e a melhor forma de lidar com estas situações é falarem abertamente sobre elas. Sem envolverem a criança nisso.

Na sua casa, as amas devem compreender que a alimentação da criança será aquela que foi determinada pelos pais. As sugestões são bem-vindas, mas qualquer possível alteração dos alimentos oferecidos ou da forma como são oferecidos deve ser conversada antes consigo. Explique calmamente a importância de cada uma das instruções que dá. Por exemplo, há pessoas que gostam de oferecer rebuçados para a criança como forma de demonstrar carinho e conquistá-la. Explique que não quer que a sua criança se habitue a comer rebuçados porque podem causar cáries, que só permite rebuçados em dias de festa, e que uma brincadeira ou uma história vão deixar a criança igualmente feliz.

Fora da sua casa, nas creches ou jardins-de-infância ou na casa de uma ama, informe-se sobre as rotinas de alimentação e sobre a forma como os alimentos são oferecidos. Se a alimentação é preparada no local, tenha em atenção os cuidados de higiene e peça para ter acesso à ementa semanal. Caso discorde de alguns destes aspetos, converse com os responsáveis. Juntos podem analisar a situação e fazer melhorias. Por exemplo, há creches onde é frequente a oferta de bolachas no decorrer do dia. Explique que não gosta que a sua criança se habitue a comer fora de horas porque isso interfere com o seu apetite para as refeições. Deve haver uma rotina de refeições e um local apropriado para comer, mesmo que os pequenos lanches sejam servidos na sala de aula. Diga ainda que prefere que o seu filho coma fruta se sentir fome entre as refeições.

As refeições levadas de casa são uma alternativa, mas não estão livres de causar situações indesejáveis. A comparação e as trocas entre colegas são frequentes. Já o acesso fácil às lancheiras pode levar às crianças a petiscarem entre as refeições. Haver orientações para os pais com informações básicas sobre alimentação saudável e dicas sobre o que colocar e o que não colocar na lancheira pode ajudar bastante. É necessário ainda haver regras relativamente aos horários das refeições e às trocas entre amigos. Há algumas instituições que proíbem a troca de alimentos.

Dica…

Envolva a criança na preparação da sua lancheira. Isso vai ajudá-la a apreciar mais o que leva para comer!

Os amigos e familiares próximos
  • Amigos

Os amigos, direta ou indiretamente, também vão influenciar cada vez mais as preferências e os hábitos do seu filho. Apesar das orientações das instituições e de toda a sua dedicação na preparação da sua lancheira, é muito provável que um dia ele manifeste desagrado com o que leva para comer. Afinal, porque é que os amigos levam imensas guloseimas, fritos de pacote (snacks), bebidas açucaradas e ele não?

Responda que estes produtos alimentares são para dias de festa e que podem fazer mal à saúde se consumidos frequentemente e em grande quantidade. Para que não se sinta tão diferente das outras crianças, procure encontrar alternativas saudáveis que o deixem mais feliz e escolham um dia para fazer a diferença. Neste dia pode ser dada, por exemplo, uma barra de cereais que tenha um pouco mais de açúcar ou um sumo 100% fruta, no lugar do leite ou do iogurte.

Outra situação comum é a criança deixar de gostar de determinados alimentos somente porque um amigo não gosta ou disse coisas “horríveis” sobre ele. As manias e os caprichos com a alimentação são normais. Não dê grande importância e evite fazer comentários. Experimente deixar de servir o alimento por um tempo e depois voltar a incluí-lo na alimentação da criança. Logo esta mania irá passar como tantas outras.

  • Familiares próximos

As influências dos familiares mais próximos podem ser mais delicadas de se lidar. A transparência e o diálogo aberto são um caminho a seguir. Mas nem sempre será fácil conseguir a compreensão de todos, principalmente daqueles que já “criaram filhos e netos”. É necessário ter muita calma e paciência. Afinal, tudo é feito com as melhores das intenções e com amor.

Em situações pontuais que não colocam a segurança ou a saúde da criança em risco, algumas batalhas são desnecessárias e podem mesmo prejudicar a boa relação da família. Por vezes, o melhor é ignorar a situação ou desviar o assunto.

Por outro lado, há situações que podem colocar a segurança e a saúde da criança em risco, como alergias, engasgamentos e excesso de sal, doces ou gorduras. Há ainda convívios mais próximos que podem interferir com os hábitos da criança. Nestes casos, é direito e dever dos pais cuidar da saúde e da segurança do filho e decidir que hábitos alimentares querem ou não incentivar. Qualquer que seja a forma como vai lidar com a situação, é importante não envolverem a criança nisso.

Festas e outras situações pontuais

Outras situações que preocupam os pais são as festas e dormidas na casa de amigos e parentes. Nestas ocasiões é habitual o consumo de guloseimas. Relaxe. Situações pontuais não vão estragar as bases que dão em casa. Nas festas, só interfira se a segurança ou a saúde da criança estiverem em risco, como em caso de alergias ou perigo de engasgamentos.

Já nas comemorações de aniversários ou outras festas nas creches e jardins-de-infância é importante que a instituição estabeleça algumas regras e oriente os pais sobre o que se deve ou não levar e oferecer às crianças.

O marketing dos alimentos para crianças

Por volta dos 3 anos de idade a criança começa a estar mais sensível à publicidade na televisão e a pedir que os pais comprem este ou aquele produto que viu anunciado. Grande parte dos anúncios é de cadeias de fast food e de produtos alimentares ricos em açúcares e gorduras e de baixo valor nutritivo. Muitas vezes, utilizam os personagens preferidos das crianças como forma de atraí-las. Comece a explicar à criança que os anúncios são feitos para incentivar a comprar e gostar de um produto, mesmo que não seja muito saudável. Dê exemplos concretos sobre o que está a falar.

Para evitar a exposição excessiva aos comerciais, limite a 1 hora o tempo que a sua criança passa diariamente em frente à TV, mude de canal durante os intervalos, grave os seus programas preferidos, ou utilize DVDs.

Os supermercados também estão arrumados de forma a chamar a atenção das crianças para determinados produtos. Evite levar a criança ao supermercado nesta fase. Se não tiver outra alternativa, leve uma lista de compras e explique que vai comprar exatamente aquilo que está na lista. Tenha persistência e coerência. Se ceder aos apelos para comprar isto ou aquilo, a situação vai-se repetir todas as vezes que forem às compras juntos.

Sabia que…

Alguns estudos comprovam que as marcas dos produtos ou a associação a determinados personagens influenciam as preferências por determinados alimentos mesmo nos mais pequeninos?